MERCADO IMOBILIÁRIO MOSTRA SINAIS DE RECUPERAÇÃO



O mercado imobiliário da cidade de São Paulo recuperou-se, no terceiro trimestre, segundo o sindicato da habitação (Secovi). As vendas cresceram 44,9% entre agosto e setembro, a oferta de recursos é satisfatória e a maioria das empresas mantém os planos de investimento, deixando para trás os maus presságios do primeiro semestre.
Foram comercializadas, em setembro, 3.237 unidades, 16,2% mais do que em setembro de 2010, e a velocidade das vendas atingiu 18,7%, a maior do ano (média de cinco meses entre o lançamento e a comercialização). Ante um aumento mais moderado dos preços e com algumas construtoras promovendo "feirões" de imóveis com descontos, muita gente aproveitou esse momento propício para comprar a casa própria.
Foi revertido o período de queda do primeiro quadrimestre: na comparação entre os primeiros trimestres de 2010 e 2011, a queda das vendas foi próxima de 50%, caindo para 31,3%, em junho; 28,6%, em julho; 23,8%, em agosto; e 19,2%, em setembro.
Em setembro, o volume de lançamentos na cidade de São Paulo foi pequeno (2.739 unidades). O estoque de imóveis prontos e não comercializados aumentou de 12 mil, no início do ano, para 14 mil, em setembro. Ainda assim, o mercado de imóveis da capital supera o da região metropolitana de São Paulo (RMSP).
Nas 39 cidades que compõem a RMSP, foram vendidas 4.440 unidades, em setembro, 12,5% menos do que em agosto e 6% abaixo de setembro de 2010. Os resultados mais fracos da área metropolitana podem ser explicados, em parte, pelo recrudescimento inflacionário, que, nas famílias de menor renda, reduziu a parcela disponível para a casa própria.
O movimento de vendas foi favorecido pela oferta satisfatória de crédito: o número de financiamentos com recursos das cadernetas de poupança cresceu mais de 20%, entre os primeiros nove meses de 2010 e de 2011, e o volume de crédito aumentou quase 50%. A segunda fonte mais importante do crédito imobiliário, o FGTS, mostrou bom movimento também. O recrudescimento da crise mundial tem impacto negativo para todos os mercados, mas no setor imobiliário as condições continuam favoráveis à compra, pois a oferta de empregos é satisfatória e o rendimento real dos trabalhadores cresceu. Ademais, os prazos de financiamento são mais dilatados. A perspectiva de estabilização dos preços dos imóveis é o melhor cenário, pois, numa conjuntura mais difícil, os compradores procurarão não comprometer excessivamente sua renda.