VENDA DE IMÓVEIS NOVOS CAI 15,3% EM SÃO PAULO


Com total de R$ 13,3 bi, , descontada a inflação, negócios em 2011 recuaram para o menor nível desde 2006

O mercado de imóveis residenciais novos passou por um "freio de arrumação" em 2011. As vendas na cidade de São Paulo somaram R$ 13,3 bilhões em 2011 e caíram 15,3% ante 2010, descontada a inflação.

Com isso, os valores comercializados recuaram para a menor marca em cinco anos. Em 2006, tinham sido vendidos R$ 12,5 bilhões em imóveis novos, aponta a pesquisa do Secovi-SP, entidade que representa o setor da habitação.

Para este ano, a perspectiva é de que o valor das vendas de imóveis residenciais novos volte a crescer entre 3,5% e 5%, acompanhando o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), prevê o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Claudio Bernardes. "O número de unidades vendidas poderá até ser menor."

Quatro dormitórios. Bernardes argumenta que, com base recentes anúncios de lançamentos, o foco das vendas neste ano deve ser imóveis mais caros de quatro dormitórios, cujo preço é mais alto. Além disso, a pressão de custos, especialmente de mão de obra e de terrenos, persiste, o que deve encarecer os valores pedidos.

No ano passado, das 28,4 mil unidades vendidas na cidade de São Paulo, volume 21,2% menor na comparação com 2010 e o menor desde 2005, 77% foram de imóveis de dois e três dormitórios. As unidades de dois dormitórios tiveram a maior fatia no bolo de vendas (46,8%).

Bernardes não está preocupado com a queda nas vendas registrada em 2011 e considera o resultado normal, fruto de uma acomodação do mercado.

Ele atribui a retração ao desempenho mais fraco do PIB, que cresceu no ano passado 2,7%, depois de uma alta de 7,5% em 2010.

Além disso, com a forte pressão de custos, elevação de preços e maior oferta de crédito por parte dos bancos para a compra de imóveis usados, parte da demanda foi deslocada para os imóveis de segunda mão.

Velocidade. Também a velocidade de vendas diminuiu no ano passado. Depois de atingir o pico em 2010, quando 70,3% dos imóveis ofertados (lançamentos e estoques)foram vendidos na cidade de São Paulo, esse indicador recuou para 57,2% no ano passado e ficou a baixo da média registrada desde 2004, que é de 60,2%. O ritmo de vendas d e 2011 também foi o menor desde 2006 (59,6%).

Bernardes observa que parte da demanda por imóveis novos já foi atendida e a perspectiva é de que a velocidade de vendas de 2011 se mantenha ao longo deste ano. Como o indicador é uma proporção entre vendas em relação ao total da oferta (estoque e lançamentos), ele caiu no ano passado porque o número de unidades vendidas diminuiu mais que o total dos lançamentos.

Balanço. A pesquisa do Secovi-SP mostrou que em 2011 foram lançadas 37,7 mil unidades residenciais na capital paulista, com destaque para um e dois dormitórios, que representaram mais da metade do total de lançamentos (63,3%). O número de lançamentos em 2011 foi só 1,3% menor em relação a 2010 (38,2 unidades).

A menor velocidade de vendas de imóveis novos no ano passado teve reflexo nos estoques. O volume total de imóveis novos disponíveis para venda nas construtoras paulistas somou 19,7 mil unidades em dezembro de 2011, aponta a pesquisa.

Quase 40% das unidades encalhadas são de imóveis de dois dormitórios.

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