BANCOS ESTATAIS E IMÓVEIS PUXAM A OFERTA DE CRÉDITO


As operações de crédito aumentaram 1,2%, entre julho e agosto, e 17%, nos últimos 12 meses, em relação aos 12 meses anteriores, segundo o Banco Central (BC). Como o PIB cresceu mais devagar, na média as pessoas endividaram-se mais e o comprometimento da renda familiar com as prestações chegou a 22,42% em julho, conforme os últimos dados disponíveis, superando o de junho.
Entre os fatores que estimularam a tomada de empréstimos está a ofensiva dos bancos estatais, liderados pela Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB). Nessas instituições, a expansão de crédito deverá atingir 24% neste ano, ante 10% dos bancos privados nacionais e 13% dos bancos estrangeiros, estima o BC. Sem a CEF e o BB, para os quais o Tesouro anunciou liberações adicionais de recursos, é provável que o crescimento do crédito tivesse sido menor.
O crédito habitacional cresceu 3,2% no mês e 38,6% em 12 meses, superando em mais de 160% e 120%, respectivamente, a oferta geral de crédito, no mesmo período. A desova de estoques de imóveis nas metrópoles estimulou as contratações. Entre os meses de agosto de 2011 e de 2012, a relação entre o crédito imobiliário e o PIB passou de 4,4% para 5,8%.
Houve, de fato, aceleração nas concessões de crédito, que aumentaram de 0,8%, entre junho e julho, para 1,2%, no mês passado. Expandiu-se mais o crédito pessoal e o crédito a veículos - neste caso, a redução do IPI se refletiu nas vendas, a maior parte das quais é financiada.
Mas os estímulos ao crédito foram muito fortes, tais como a nova redução das taxas ativas de juros, de 30,7% ao ano para 30,1% ao ano, em um mês; a diminuição do spread bancário médio (diferença entre as taxas de aplicação e de captação), de 23% para 22,5%; além de um leve aumento nos prazos dos empréstimos.
E, apesar da melhora das condições de crédito, a inadimplência média se manteve em 5,9% e a das pessoas físicas, em 7,9%. Esses números são influenciados pelas operações com cartão de crédito, cujos juros só agora começam a cair.

O governo aposta no aumento do crédito para ampliar ainda mais o consumo e alcançar a recuperação do ritmo da atividade econômica, neste e no próximo trimestre. Mas as pessoas físicas têm de ser extremamente cuidadosas antes de tomar crédito, seja para evitar o endividamento excessivo, seja porque o aumento da concorrência e a generalização da política de redução de juros permitirão que o custo dos empréstimos continue caindo. Afinal, mesmo com as quedas, os juros são muito elevados.