ESTRANGEIROS BUSCAM MORADIA E CASA DE FÉRIAS NO BRASIL


A diversidade sempre esteve presente no Brasil e se tornou em uma de suas principais características. O futuro promissor do país no cenário internacional o colocou em destaque no mapa, mas não só como destino para férias de europeus e norte-americanos. Parte dos turistas que antes visitava as praias do Rio de Janeiro e do Nordeste agora investe em imóveis como moradia ou para passar períodos de lazer durante o ano.


Antes de o real entrar na economia brasileira e se tornar uma moeda estável, enquanto a inflação diária assustava os consumidores, o dólar era uma opção para facilitar as negociações no mercado imobiliário. "Como uma transação imobiliária não é uma coisa que se faz de um dia para o outro, era preciso ter algo que balizasse o seu valor para a hora do fechamento", explica o diretor da Itaplan Imóveis, Fábio Rossi. Nesta época, os imóveis eram precificados em dólares, uma moeda estável, e no dia da venda o preço era convertido para a moeda nacional pela cotação do dia. O mercado que antes era influenciado pelo câmbio norte-americano, hoje se baseia exclusivamente no real. Dentro das imobiliárias, o dinheiro estadunidense se faz presente de forma mais direta apenas na venda de imóveis para estrangeiros.

A valorização do dólar se configurou em uma vantagem para os interessados de fora do país em investir em imóveis no Brasil. "Quando o dólar sobe, fica mais barato para eles comprarem no Brasil. Já com o real ficando mais forte faz com que fique mais caro comprar aqui", esclarece o sócio-diretor da Judice & Araujo Imóveis, imobiliária especializada em imóveis de alto luxo, Frederico Judice Araujo.

Araujo percebe que o cenário econômico internacional tem grande influência na procura desses clientes por imóveis no país: "A maior procura aconteceu até 2008 e depois foi interrompido pela crise financeira nos Estados Unidos. No ano passado, muitos estrangeiros saíram do mercado também. O principal fator que está inibindo os estrangeiros de virem para cá é a crise europeia", afirma. O especialista no mercado imobiliário lembra que quando a moeda norte-americana chegou a menos de R$ 2, muitos clientes decidiram deixar de investir no setor e aguardar por um novo momento. "Quando o dólar fez o movimento para casa dos R$ 2, nós sentimos que alguns clientes começaram a voltar, mas não houve uma movimentação muito agressiva", afirma.

O diretor da Itaplan Imóveis nota, por sua vez, que a valorização cambial não foi tão alta quanto a valorização dos imóveis no país. Isso justificaria a baixa mudança na procura dos estrangeiros por moradias brasileiras. Um dos aspectos importantes para determinar a valorização de um imóvel é a sua localização. Rossi explica que nas grandes cidades não existem tantas possibilidades de fazer melhorias ou novos bairros para construir casas e prédios bem localizados, portanto, os que já existem acabam se valorizando. Rossi afirma que, com isso, o dinheiro que o comprador tem em outro câmbio pode não ser mais o suficiente para adquirir um determinado imóvel. "Quando o estrangeiro vê essa valorização, ele sabe que se demorar para fazer a escolha, por mais que o dinheiro dele esteja em uma moeda forte, ele perde o poder de compra", afirma.

Conheça o perfil de quem compra imóveis no Brasil

A migração de empresas multinacionais para cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, forçou muitos estrangeiros a se mudaram para o País. Segundo Araujo, as indústrias de óleo e gás trouxeram pessoas do mundo inteiro para as imobiliárias brasileiras. Existem também os clientes que compram apenas para passar períodos de férias e lazer próximo às praias. "O Rio de Janeiro se tornou, na linguagem estrangeira, um lugar cool. Os estrangeiros que vêm são pessoas que adoram a cidade e compram simplesmente para passar alguns meses do resto do ano", exemplifica.

Araujo afirma, ainda, que as nacionalidades que mais procuram os serviços de suas imobiliárias são franceses, ingleses e norte-americanos. Entre os destinos procurados estão Angra dos Reis, Itaipava, Búzios e, o principal, Rio de Janeiro. As compras são feitas em reais e a pessoa do exterior que vem para o Brasil não precisa comprovar a posse de um visto, mas necessita ter um CPF. O sócio-diretor da Judice & Araujo Imóveis conta que a maioria de seus clientes faz o pagamento das compras à vista. No caso das locações, muitos estrangeiros contratam um seguro de fiança por não terem conhecidos ou parentes no país para colocarem como fiadores.